>Serra dos Candeeiros

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Serra dos Candeeiros (daqui)

Ouvia, na passada terça-feira, a Prova Oral do Fernando Alvim, na Antena 3, que trazia um convidado estrangeiro, expressando-se em bom português, e autor de um livro sobre os portugueses. Eis senão quando o dito senhor, quando questionado sobre o que gostava mais no nosso país, responde que gosta do país  todo e não conseguia escolher….
…só havia uma coisa que não gostava: a serra dos Candeeiros! Era chata!

Ui! O que ele foi dizer! Percebi imediatamente que havia uma grave injustiça a reparar. Se o país é bom, óptimo; mas se a única coisa má é a Serra dos Candeeiros, melhor ainda!

Comecemos pela localização. O Fernando Alvim, natural do Porto e radicado há demasiados anos em Lisboa, flui pela auto-estrada e não sabe onde é a Serra. A Xana Alves disse que era a seguir a Torres Novas…. será que nunca saem da A1? O convidado não a corrigiu, pelo que certamente também não sabe.
A seguir a Torres Novas é o polje de Minde e a serra de Aire. E talvez eu consiga perdoá-la porque a serra dos Candeeiros compreende-se integrada no que os académicos chamam Maciço Calcário Estremenho, os ambientalistas Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros.

Vamos lá convidar o senhor Hatton a descobrir o melhor das Serras de Aire e Candeeiros:

– grutas; descobertas e apreciadas há várias décadas, as grutas de Mira d´ Aire, da Moeda, de Alvados e de Santo António merecem sempre uma visita pela monumentalidade que a natureza esconde debaixo dos nossos pés.

– Por falar em Alvados, lá podemos albardar um burro à nossa vontade e dar um passeio neste animal hoje em vias de extinção e que até há bem pouco tempo era um dos principais meios de transporte para muitos portugueses. O meu pai que o diga, que em miúdo torceu um braço quando caiu de um. Mas não se preocupem, que estes são mansinhos!

Igreja e Dolmen das Alcobertas

– A igreja das Alcobertas constitui um monumento único a nível nacional, pois integra um dolmen, considerado sagrado pelos habitantes desde há milhares de anos, que por esse motivo decidiram que o interior da igreja deveria comunicar com o templo pré-histórico que assim continua a ser parte do culto.

– A Cooperativa Terra Chã é um projecto de desenvolvimento de características únicas. Sim, pareço o José Hermano Saraiva a dizer que tudo é único, mas é que é verdade! A Cooperativa desenvolve projectos de protecção da natureza, de preservação das tradições e do património natural e social da serra e de actividades turísticas. Nos Chãos (Alcobertas, Rio Maior.)

– O Centro Ciência Viva do Alviela é, e citando o próprio site, “um espaço interactivo de divulgação científica e tecnológica” que, “localizado na fronteira entre a Estremadura e o Ribatejo (…) proporciona aos seus visitantes, através da alta tecnologia, uma aventura empolgante que desce às profundezas da terra em busca das origens da nascente do Alviela, percorre as estações do ano revelando a influência destas na constituição de uma das maiores reservas de água doce do país e explora os refúgios ocultos dos morcegos cavernícolas”. É nos Olhos d´Água, a célebre nascente do rio Alviela (Louriceira, Alcanena) que merece uma visita mesmo de quem se interesse mais pela paisagem e pela natureza e menos pela ciência.

– E as Pegadas de Dinossauros, em Ourém? 175 milhões de anos e mais de 1000 pegadas não merecerão uma visita?

Imagem daqui

Para quem quiser dar a voltinha dos tristes, é muito simples: subir ao Casal Vale Ventos e percorrer a estrada até às salinas (ou vice-versa). Em dias de boa visibilidade, é possível ver o mar, o sítio da Nazaré e as Berlengas e, claro, a vizinha Montejunto, a caminho do sul. Além disso, podemos visitar as gigantescas eólicas in loco e sentirmo-nos esmagados pela enormidade tecnológica que contribui para a auto-suficiência energética do país.

Já falámos nas Salinas de Rio Maior, as maiores salinas interiores de Portugal, a laborar desde a Idade Média? Os miúdos adoram e pode-se beber uma cerveja e comprar uns suvenires, se houver uns trocos a mais.

Polje de Minde (imagem daqui)

Falámos aqui foi no polje de Minde, e não vale a pena falar muito mais porque é verão; mas num dos próximos invernos, é esperar que chova o suficiente para que o vale entre Minde e Mira de Aire se transforme numa lagoa interior de características – sim, únicas!, na Península Ibérica.

 

Para comer, há 3 opções:
– Quem andar pela Serra dos Candeeiros pode descer ao sopé e ir aos vários centros gastronómicos nascidos do tráfego da nacional “númarum” que agora se chama IC2 entre a Benedita e Rio Maior. A Ti Cristina, a Jomafel e o Bigodes são alguns exemplos.

– quem andar lá pelo meio das serras, há um restaurante muito bom na Serra de Santo António onde cada dose dá para 3 ou 4 refeições! Pelo menos para os estômagos mais sensíveis.

– quem descer pela vertente oriental do PNSAC (Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros) e seguir a Xana Alves até Torres Novas, pode parar nas Festas do Almonda, que estão a decorrer!

Há muitos mais coisas para visitar…. mas não temos tempo. Outras oportunidades surgirão. Esperamos que seja suficiente para que o senhor Barry Hatton mude de opinião sobre a Serra dos Candeeiros e a área do PNSAC. O melhor de Portugal está por vezes onde menos se espera!

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