Furnas

Geíseres, Furnas (imagem daqui)

No tempo em que eu não fazia nada fiz dois amigos açoreanos, e já se sabe que quando fazemos amigos o nosso tempo é muito bem investido. Que tinham esta particularidade: um era de S. Miguel e outro da Terceira.

O convívio com estes moços deu-me a conhecer com muito mais pormenor as realidades da autonomia açoreana que nós por cá no Continente conhecemos tão mal – tal como eles conhecem mal o Continente, note-se! As coisas são mesmo assim.

Os Açores tiveram há pouco mais visibilidade por causa de uma personagem de um programa de humor na televisão. Na verdade, o sotaque que normalmente associamos aos Açores é principalmente falado em S. Miguel; as outras ilhas têm tons diferentes ou não tem sotaque nenhum, como é o caso da Graciosa.

S. Miguel e a Terceira são as ilhas maiores, com mais população, as ilhas que acolheram a capital dos Açores ao longo da história do arquipélago. Isso alimenta uma rivalidade que é para nós tão invisível como sem sentido; os Açores são tão “pequenos”, achamos nós, como é que pode haver rivalidades entre ilhas? Mas a verdade é que existem e isso só alimenta o colorido dos portugueses das ilhas. E por colorido não me refiro a nenhum insulto homofóbico daqueles que eles dedicam uns aos outros e que só se ouvem por lá.

Hoje detenho-me nas Furnas, localidade de origem de um desses amigos.

Caldeiras (imagem daqui)

As Furnas vão buscar o nome à actividade vulcânica, que se manifesta Ao contrário do que acontece nos Capelinhos do Faial ou em outros vulcões pelo mundo fora, a actividade vulcânica das furnas é muito amigável e manifesta-se principalmente na área das Caldeiras, onde existem géiseres,  águas minerais de várias temperaturas e sabores e lamas medicinais.

Cozido subterrâneo! (imagem daqui)

Não há outra região de Portugal onde se possa fazer um petisco enterrando uma panela na terra, o célebre cozido das Furnas. A cozedura demora cerca de 5 horas mas o sabor vale a pena – não é possível reproduzi-lo!

Os Açores são célebres pela beleza natural. A lagoa das Sete Cidades é célebre mas a lagoa das Furnas também nos consegue prender a vista. Nós temos a ideia de que está sempre a chover nos Açores, mas eles desmentem-nos categoricamente; os meterologistas exageram!

Para quem gosta de desporto, as Furnas têm os caminhos pedestres e o campo de golfe “rústico”, como agora é conhecido. Desportos que implicam sempre a presença no meio da natureza, sempre tão próximo do mar. O amigo das Furnas, quando deslocado no Continente, esteve vários meses sem ver o mar. Pois no dia em que nos aproximámos do mar, foi como se recobrasse o fôlego e as cores na cara! É quase como se o ar marítimo lhe desse energias extra. Podem tirar os açoreanos do mar mas ninguém tira o mar aos açoreanos.

Infelizmente, não é muito fácil chegar aos Açores; não existe linha aérea low-cost. Não creio a abertura de uma dessas linhas atraísse ingleses dispostos a fazer dos Açores uma nova Ibiza… mas enfim. Lá teremos de continuar a fazer o sacrifício para conhecermos aquilo que os americanos consideram ser um dos últimos paraísos na Terra! Um dia destes vamos também à Terceira, para não ficarem ofendidos…

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