Olivença

Palácio dos Duques do Cadaval, Olivença (imagem daqui)

Continuamos a percorrer a raia e esta semana descemos a Olivença. Aqui, ao contrário do que acontece no Norte, a fronteira não se vê – porque Portugal não a reconhece oficialmente.
Olivença foi ocupada “à má fila” por alturas do Napoleão. Quando o imperador francês desapareceu e se fez um acordo geral de paz na Europa, a Espanha concordou em devolver-nos a vila. Só que foi-se fazendo esquecida e assobiando para o lado… Olivença continuou por lá, e nós não nos queixámos mas também não esquecemos, e a fronteira continua a não ser oficial.
Hoje, só os mais velhos ainda falam português de forma espontânea; os oliventinos com menos de 60 anos já não o fazem. O problema não é tanto os 200 anos que já passaram desde a ocupação, mas a agressividade do regime de Franco que fez os possíveis por apagar o que restasse da portugalidade. O falar português era penalizado na escola com reguadas e vieram colonos de outras zonas de Espanha para tornar Olivença mais espanhola e não apenas uma vila alentejana sob administração de Madrid. Mas ainda há esperança.
Perguntar pelo assunto na rua pode não nos conquistar grandes amizades, mas os mais jovens aprendem o português na escola, e a afluência é grande.
Nestes tempos de paz e união entre os países europeus, pensar em medidas de força para exigir uma devolução é anacrónico. A “resistência” pode ser cultural, e não política. Aqui há uns tempos, houve uns engraçadinhos que resistiram de outra forma:

S. Jorge da Lor, Olivença (imagem daqui)

Ir a Olivença é depararmo-nos com os nomes portugueses nas ruas, com a arquitectura portuguesa nas casas, é darmos uma volta pelo “ayuntamiento” e vermos as antigas aldeias onde o português resistiu mais e onde tudo nos diz que continuamos no Alentejo.
Nomeadamente a comida, onde encontramos o cozido estremenho, o gaspacho estremenho, e as migas.

Ponte da Ajuda (nova), com a antiga ponte em fundo

Mesmo se os caramelos já não são o que eram, Badajoz continua a ser uma visita mais simples e rápida para quem quer conhecer uma cidade média espanhola. Porque não aproveitar e fazer um desvio até Olivença? Segundo o Google, são apenas 25 km. Para o regresso a Elvas, são outros 25km, feitos pela ponte que a Câmara de Elvas inaugurou por sua própria iniciativa (leia-se dinheiro) para simbolizar o não reconhecimento da fronteira como internacional.

De resto, à imagem de Rio de Onor e do seu estatuto de aldeia europeia, alentejanos e extremenhos pensaram na criação de uma euro-região que agruparia os municípios de La Codosera, Albuquerque e Badajoz, de um lado, e Arronches, Campo Maior, Estremoz, Portalegre e Elvas, com Olivença ao centro. Mas, tal como em Rio de Onor, também esta sementeira não deu ainda muitos frutos…

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